segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A importância da prevenção da visão nos idosos

A importância da prevenção da visão nos idosos



A OMS estima em 180 milhões de pessoas em todo o mundo que apresentam algum tipo de deficiência visual, dos quais cerca de 50 milhões são cegos. Sob o aspecto legal, considera-se cego qualquer indivíduo com acuidade visual inferior a 20/20 ou cujo campo visual seja menor de 10 graus. O Brasil tem cerca de 4 milhões de deficientes visuais e aproximadamente 1, 25 milhão de cegos.


De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) existem quatro estágios de envelhecimento: meia idade (45 a 59 anos), idoso/idosa (60 a 74 anos), ancião/anciã (75 a 90 anos) e velhice extrema- 90 anos em diante. No entanto, não só devido ao prolongamento da vida laborial, como também ao adiamento da aposentadoria por idade, hoje um indivíduo de 60/65 anos dificilmente se define como “idoso”. 


Vista cansada, primeiro sinal de envelhecimento


Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Luiz Carlos Portes, a visão é o primeiro sentido a sofrer os efeitos do envelhecimento. E os primeiros sintomas surgem geralmente a partir dos 40 anos, quando a maior parte das pessoas começa a sofrer de vista cansada ( presbiopia), que ocorre devido ao enfraquecimento do cristalino. Esta lente natural do olho começa a se contrair menos e perde a acomodação (capacidade refrativa), dificultando a visão para perto. A presbiopia, no entanto, pode ser corrigida com óculos, lentes e cirurgia.


Principais causas de cegueira ou deficiência visual nos idosos


Catarata (única causa de cegueira reversível), glaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DRMI) são as principais causas da cegueira ou deficiência visual nos idosos, além de problemas de refração, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, destacando a importância da consulta oftalmológica periódica a partir dos 40 anos.



Além da catarata, do glaucoma e da DRMI, Luiz Carlos Portes aponta a retinopatia diabética, que pode levar à cegueira, como um outro fator de risco para os idosos. Ela esta diretamente ligada ao tempo de evolução da doença, pressão elevada, fumo e outros fatores de risco, os quais podem provocar aumento da permeabilidade vascular e uma neovascularização, provocando danos na retina.


Medidas preventivas


Com o aumento da expectativa de vida e a queda da fecundidade, a tendência de envelhecimento da população brasileira se consolidou e tende a aumentar, trazendo com ela problemas visuais antes comuns a um grupo pequeno. Aliado a esse fator, um outro preocupa os especialistas, o estresse e hábitos da vida moderna, que estão antecipando doenças como a DRMI ( hoje já comum em indivíduos com menos de 60 anos).


Felizmente, 70 a 80% dos problemas provocados por esses problemas podem ser prevenidos com medidas profiláticas, evitando-se exposição ao sol sem protetores solares, óculos e chapéus, ingestão maior de peixes, ovos, verduras e frutas, recomenda o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia.


Catarata


A catarata é a opacificação do cristalino, que prejudica a entrada de luz nos olhos, provocando a diminuição da visão. As alterações podem levar à cegueira, mas é o único caso de cegueira reversível. Graças aos modernos recursos cirúrgicos, as chances de recuperação plena se aproximam dos 100%. Segundo os especialistas, 85% das cataratas estão classificadas na categoria de senis, incidindo principalmente na população de mais de 50 anos. Razão pela qual, nesses casos, não é considerada uma doença, mas um sintoma normal do processo de envelhecimento.


Enquanto nos países desenvolvidos realizam-se 5 mil cirurgias de catarata por ano e por milhão de habitantes, o Brasil não chega ao mínimo de 3 mil, como preconiza a OMS. Apesar das sucessivas campanhas desenvolvidas pelo governo com o apoio das entidades oftalmológicas, estima-se que sejam realizadas 360 mil cirurgias por ano, ao invés das 540 mil necessárias. 


Glaucoma

Doença ocular que provoca lesão no nervo óptico e campo visual, o glaucoma, se não detectado precocemente e tratado, leva à cegueira irreversível. Estima-se que existam cerca de 900 mil brasileiros portadores de glaucoma, embora o número deva ser muito maior, mas não há estatísticas confiáveis. O glaucoma é geralmente tratado com colírios. Quando estes não surtem efeito, opta-se pela cirurgia. 


DRMI

Ocorre geralmente a partir dos 60 anos e afeta a área central da retina (mácula), provocando baixa visão central, dificultando principalmente a leitura. Os danos à visão central são irreversíveis, mas a detecção precoce e os cuidados podem auxiliar no controle da doença. Fotocoagulação e agora os novos medicamentos podem retardar e até deter a doença. Não existem estatísticas sobre a DRMI no Brasil, mas no mundo ela já cegou 3 milhões de pessoas.


fonte: Sociedade Brasileira de Oftalmologia (www.sboportal.org.br)


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